Para Ivo Wohnrath, CEO da A/W Arquitetura, um novo modelo de escritórios será encontrado nos próximos meses


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Até o início do ano, víamos deslumbrados a inauguração em série de escritórios belíssimos e funcionais, especialmente no território das startups, que privilegiavam o convívio dos funcionários, troca de ideias e ambientes abertos, com mesas próximas entre si. O mesmo ocorria com o boom dos empreendedores que trabalhavam em regime de coworking, convivendo com outras iniciativas empresariais e dividindo até espaços de alimentação e de lazer. Tudo em nome do que se chamava economia colaborativa ou gestão multidisciplinar. Dessa colaboração constante, diziam os defensores destes conceitos, surgiriam ideias inovadoras que transformariam modelos de negócios, criariam soluções disruptivas e gerariam mais riqueza. Essas, ao lado de novíssimas ferramentas tecnológicas, seriam algumas das bases para construir um novo cenário corporativo.

Veio a pandemia do coronavírus e todos esses conceitos foram instantaneamente repensados. Hoje, muitos empresários já devolveram espaços de escritórios que, acreditam, ficarão ociosos no futuro. Muitas empresas começam a considerar a possibilidade de estender o trabalho remoto até o final do ano, mesmo que as regras de isolamento social sejam relaxadas antes disso. Algumas até cogitam adotar o sistema de Home Office de forma permanente, deixando colaboradores trabalhando em casa. O benefício no resultado é imediato: haverá uma economia significativa nos custos de aluguel, condomínio e manutenção dos imóveis, que hoje representam entre 5% e 15% do faturamento das empresas.

Não que o conceito de trabalhar juntos, sem paredes, seja novíssimo. A diretoria do Bradesco, por exemplo, durante anos trabalhou num espaço aberto, dividida em um mesão comprido. Com esse estilo despojado, bem diferente da concorrência, havia uma agilidade flagrante na hora de decidir assuntos que precisariam da atenção de um grupo de executivo. As decisões, assim, eram tomadas imediatamente, sem nenhuma burocracia. Não era preciso pegar no aparelho telefônico ou agendar uma reunião para tirar uma dúvida ou fechar um negócio que necessitava de uma determinada opinião: era só levantar a cabeça e perguntar aos colegas da mesa. O modelo Bradesco acabou sendo copiado por muitas corporações, que concentraram toda o Estado-Maior corporativo numa única sala. Depois, as salas de diretorias e gerentes foram abolidas. Algumas empresas deram um passo à frente, abolindo estações privativas de trabalho e forçando uma espécie de rodízio de posições no escritório.

Para Ivo Wohnrath, CEO da A/W Arquitetura, a maior empresa de planejamento e construção de escritórios corporativos do Brasil, o novo modelo dos escritórios que surgirá após a Pandemia ainda não foi definido. Em entrevista a MONEY REPORT, Wohnrath mostra as fases pelas quais as companhias vão passar durante o combate ao coronavírus — isolamento forçado (atual), transição e implantação de novos modelos. Somente daqui a alguns meses é que se poderá traçar as diretrizes do que será o novo normal no mundo dos escritórios. Uma coisa, porém, é certa, o Home Office será incorporado ao dia a dia das empresas, mas não atingirá a todos os funcionários.

Fonte: MONEY REPORT


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