Renders vs Realidade: Antes e Depois na obra de renomados arquitetos


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Hoje em dia é quase impossível ver uma apresentação de projeto de arquitetura sem que a mesma esteja acompanhado de imagens. Independentemente do método ou software utilizado, renderes são atualmente uma ferramenta extremamente valiosa para dar voz à uma série de elementos bastante abstratos para aqueles que não estão habituados com a linguagem técnica de um projeto de arquitetura. Além de nos aproximar cada vez mais da realidade visível, imagens renderizadas são capazes de traduzir ideias em formas concretas. E quando aprovadas, tais imagens passam a ser vistas como uma promessa de futuro, seja para os clientes, investidores ou para cada um de nós.

Quando se trata de projetos desenvolvidos por arquitetos famosos, estas visualizações representam um momento crítico, utilizadas tanto como uma ferramenta de análise por parte dos projetistas quanto uma referência para toda a comunidade de arquitetos. Muitos detalhes acabam sendo incorporados no projeto exatamente no momento em que as imagens estão sendo desenvolvidas. Alguns elementos são fundamentais para se obter um resultado satisfatório e uma representação mais precisa da realidade: iluminação natural e artificial, materiais e texturas e principalmente, o contexto no qual o projeto está inserido.

Em muitos casos, a precisão destas imagens é determinante para o futuro de um projeto, principalmente durante as fases iniciais. Através da visualização, é possível identificar problemas e encontrar soluções. É nesta etapa que os engenheiros e construtores podem alertar para possíveis complicações que, de outra forma, poderiam causar enorme surpresa em fases mais avançadas de um projeto. Uma renderização de qualidade se torna uma meta, um objetivo para ser alcançado quando a obra estiver concluída.

Importantes arquitetos e grandes escritórios de arquitetura tendem a explorar todo o potencial oferecido pelas ferramentas de visualização, permitindo comunicar com precisão suas mais inovadoras ideias.

Museu Atelier Audemars Piguet por BIG + ATELIER BRÜCKNER + CCHE

Para o projeto do Museu Atelier Audemars Piguet, as renderizações destacam claramente o volume do edifício em looping ou espiral — um dos principais desafios técnicos deste projeto.

“O pavilhão do Museu Atelier, concebido pelo BIG e desenvolvido pelo escritório local CCHE, se materializa em forma de uma laje metálica em espiral que pousa delicadamente sobre a topografia do terreno, apoiando-se em singelos elementos de vidro estrutural curvo. Tal solução estrutural é um feito para a engenharia e arquitetura, a primeira construção deste tipo a ser construída a tal altitude.”

Beirut Terraces por Herzog & de Meuron

Nesse caso, os princípios de projeto ficaram muito evidentes até mesmo nas primeiras imagens publicadas pelos arquitetos. A composição da torre e a maneira como as aberturas foram concebidas, tão bem ilustradas nestas imagens, desempenham papel fundamental para a compreensão da proposta.

Cinco princípios definem o projeto: camadas e terraços, interior e exterior, vegetação, vistas e privacidade, luz e identidade. O resultado é um edifício em camadas verticais: lajes de tamanhos variados permitem a interação entre abertura e privacidade, promovendo uma vida flexível entre interior e exterior.

Vessel Public Landmark por Heatherwick Studio

A renderização também é uma ótima maneira para se conceber e entender a relação de um projeto com o seu contexto, assim como a maneira como os usuários poderão se apropriar de seus espaços.

“Esperava-se que um projeto urbano desta escala fosse capaz de transformar a imagem do bairro, algo que chamasse a atenção para si mais do que o aglomerado de torres residenciais que dominam a paisagem local.” 

Grace Farms por SANAA

Outro ótimo exemplo da relação entre o projeto e seu contexto — neste caso, topográfico. De fato, projetar com imagens podem até fazer com arquitetos optem por construir menos, dependendo do contexto. As imagens, neste caso específico, também transmitem a essência das formas fluidas e da estética final do edifício.

O objetivo da SANAA era fazer com que a arquitetura do edifício, batizado de Rio, se tornasse parte da paisagem, sem chamar a atenção para si mesmo, ou até mesmo sem ser sentido como um edifício. A esperança era que aqueles que estivessem na propriedade tivessem uma maior fruição do bonito ambiente e da mudança das estações através dos espaços e experiências criadas por ele.


Grove em Grand Bay por BIG

As duas torres do Grove em Grand Bay respondem aos arredores e entre si, para gerar ótimas vistas em todos os níveis. As torres decolam do chão para capturar toda a amplitude das vistas panorâmicas, das baías de veleiro e da marina até o horizonte de Miami. O movimento dançante das torres cria um novo marco na comunidade.

The Shed, Centro Artístico por Diller Scofidio + Renfro

A infraestrutura aberta do projeto pode ser permanentemente flexível para em um futuro  responder à variabilidade de escalas, mídias, tecnologias e às necessidades em evolução dos artistas.


Oasia Hotel Downtown por WOHA

As renderizações do Oasia Hotel não apenas ilustram toda as soluções inteligentes e sustentáveis aplicadas ao projeto/construção, mas também permitem vislumbrar como o edifício poderia se tornar um farol no meio da paisagem urbana.

“Diferente dos típicos arranha-céus ocidentais, esta “torre residencial tropical” oferece uma imagem alternativa à tecnologia construtiva do gênero.” 


FONTE: *Os textos citados foram extraídos de trechos dos projetos já publicadas e enviados previamente pelos próprios arquitetos e escritórios de arquitetura. 

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