Sucesso do trabalho remoto deve mudar o rumo das ocupações


3 min de leitura

Ampliação de políticas de home office e menor espaço físico dos escritórios. Assim deve ser o novo normal das ocupações nas empresas após o período de quarentena, segundo pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield.

A avaliação do home office é positiva

Dos entrevistados, cerca de um quarto (25,4%) classificou como totalmente positiva a experiência do home office, enquanto 59% afirmaram que existem mais pontos positivos do que negativos. Somente 2,5% dos entrevistados afirmaram que é totalmente negativo, enquanto 13,1% declararam que há mais pontos negativos do que positivos.

Empresas pretendem adotar modelo de forma definitiva

O número de empresas que pretende adotar, manter ou ampliar políticas para home office como algo definitivo é amplamente superior. Somadas as empresas que já adotavam o modelo totalmente (4,9%) com aquelas que adotavam parcialmente (28,7%) e também com as que não adotavam, mas passaram a usar o modelo durante a quarentena (40,2%), o índice de empresas que pretendem adotar o home office como algo definitivo chega a 73,8%. Por outro lado, uma parcela de 26,2% não pretende adotar.

Modelo home office era pouco adotado antes da quarentena

O percentual de empresas que deseja adotar o modelo de trabalho remoto chama a atenção, uma vez que, das empresas ouvidas na pesquisa, 42,6% nunca haviam adotado antes da quarentena e sequer imaginavam essa possibilidade, 23,8% afirmaram que o home office era algo em estudo, mas não definido. Das que afirmaram que já adotavam o modelo, 26,2% o faziam de forma parcial e somente para alguns cargos e dias da semana, enquanto uma minoria (7,4%) declarou que a empresa adotava o modelo de forma mais abrangente, incluindo diversos cargos e em dias variados da semana.

Tendência de menor adensamento dos escritórios

A adoção do home office está ligada a um movimento de redução ou remodelação de espaço de trabalho no futuro. De acordo com a pesquisa da Cushman & Wakefield, 29,5% dos tomadores de decisão afirmaram que a empresa deve reduzir o espaço físico no futuro por conta do sucesso do home Office e outros 15,6% apontaram a redução como consequência de questões econômicas relacionadas à pandemia. Uma grande parcela afirmou ainda não ser possível definir, 35,2%, enquanto 19,7% cravaram que não haverá redução de espaço físico no futuro.

Dentre os que responderam que a empresa pretende reduzir o espaço físico, o percentual de redução mais apontado foi entre 10% a 30%.

"O que notamos mais fortemente como tendência futura é o menor adensamento de pessoas nos escritórios. Isto é, as pessoas devem trabalhar de forma a se respeitar o distanciamento social, não somente pelo risco de contaminação pelo COVID-19, mas também pela segurança de todos em casos similares. Portanto, a tendência é de que as empresas que adotarem o home office como novo modelo de ocupação precisarão do mesmo espaço - hoje alugado - para acomodar os funcionários que continuarão trabalhando nos dias sugeridos dentro do escritório com mais espaços, dentro do conceito Six Feet Office", afirma Natália Pozzani, Head de Marketing da Cushman & Wakefield.

Conceito Six Feet Office

A Cushman & Wakefield já tem adotado em outros países o conceito Six Feet Office e trabalhado com o Guia de Prontidão para Retomada (Recovery Rediness), que destacam os diversos pontos essenciais para a adequação do espaço e o retorno seguro aos escritórios. O conceito Six Feet Office se baseia nos seguintes elementos:

1. Visualização rápida dos 6 pés (1,82m): uma análise concisa, mas completa, do ambiente de trabalho atual no campo da segurança sanitária e de saúde e de outras oportunidades de melhoria.

2. Regras dos 6 pés: um conjunto de regras de conduta e acordos viáveis simples e claros que priorizam a segurança de todos.

3. Rota de 6 pés: uma rota exclusiva e bem definida visualmente para cada escritório, tornando os fluxos de tráfego completamente seguros.

4. Estação de trabalho de 6 pés:  um espaço de trabalho adaptado e totalmente equipado no qual o usuário possa trabalhar com segurança.

5. Instalações de 6 pés: um funcionário treinado que assessora e garante a operacionalidade de um ambiente ideal e seguro em todas as instalações.

6. Certificado dos 6 pés: um certificado atestando que foram tomadas as medidas para implementar um ambiente de trabalho seguro e livre do vírus.

Dentro de cada pilar há políticas, métodos e protocolos que as empresas poderiam seguir para que tenham um escritório seguro e funcional para todos os colaboradores.

"Essas novas diretrizes são importantes diretórios para que os empresários possam se preparar com eficiência para um retorno seguro e para que os próprios colaboradores possam se policiar em relação a esses novos hábitos, afinal, nada será como antes após a pandemia. Espaços colaborativos, por exemplo, que estavam em alta entre as grandes companhias, serão praticamente descartados nesse momento", acrescenta Jadson Andrade, Head de Market Research da Cushman & Wakefield.

Impacto em projetos de locação e obra de um novo escritório

A pesquisa buscou saber o impacto da quarentena em termos de interrupção de projetos de locação e/ou obra de novo escritório. Dos entrevistados, 12,3% afirmaram que houve interrupção devido à adoção da política de home Office e 17,2% também disseram que sim, mas por outros motivos. Na outra ponta, 14,8% dos tomadores de decisão garantiram que não houve interrupção e que o plano de locação e/ou obra se mantém, enquanto a maior parcela (55,7%) afirmou não ter interrompido pelo fato de que não havia plano de locação e/ou reforma previsto. Entre as empresas que mantiveram o plano de locação/obra, o percentual de expansão mais apontado foi o de 10% a 40%.

FONTE INFRA FM