Status do mercado de coworking brasileiro - uma rápida análise


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E o que vem pela frente?


Pelo quinto ano consecutivo, o Censo mostra um crescimento do mercado. Em 2019, foi 25%. Hoje existem 1497 espaços de coworking no Brasil. Em comparação com a média mundial, o crescimento do mercado brasileiro é percentualmente mais agressivo, e estávamos evoluindo rápido.

Alguns dias atrás rodamos uma pesquisa dentro dos espaços que fazem parte da nossa comunidade. A ideia era entender se os coworkings estavam abertos ou fechados, e como a quarentena está afetando um segmento tão dependente da interação humana. A pesquisa aconteceu no dia 2 de abril, e teve a participação de 178 espaços de coworking, distribuídos por 15 estados brasileiros.

Apesar de este material trazer uma reflexão interessante, por favor perceba que ele é um questionário informal, baseado em um recorte de região e data. Com a evolução da pandemia pelo Brasil, os dados podem estar desatualizados. Tentaremos manter esse artigo com informações frescas, refazendo a pesquisa no início de junho.

2 em cada 3 espaços de coworking estão fechados.

No início de abril, 68% dos espaços já estavam fechados ao público. No total, 42,4% estão completamente fechados e 26% alegam estar fechados, mas eventualmente recebem a visita de algum coworker. 18% dos espaços permaneceram abertos apenas para membros fixos, sem acesso de visitantes ou eventos.

Dentre os motivos que levaram ao fechamento, a grande maioria (47,3%) foi devido às restrições dos governos estaduais/municipais impostas na região. Já um percentual um pouco menor (26,7%) diz que iria encerrar as atividades de qualquer forma, com ou sem restrição legal. Essa fatia acredita ser o movimento correto a fazer nesse momento, colaborando com o isolamento social recomendado pela OMS. Já pra 17,8% dos espaços a decisão não foi exatamente deles, uma vez que os coworkers simplesmente pararam de frequentar o espaço, deixando o gestor sem alternativa.

As perspectivas futuras são positivas, mas talvez nem todos consigam aproveitar.

Um dado super preocupante vem relacionado a saúde financeira dos espaços. Menos de um terço afirmou ter caixa para suportar 3 meses ou mais de isolamento social. 27,5% diz ser capaz de segurar 2 meses sem faturamento, e pouco mais de 30% afirmaram ter apenas um mês ou menos de caixa disponível. Diversos espaços já estão encarando a real possibilidade de fechar as portas de vez nas próximas semanas. Nesse momento, aqueles que são proprietários do local tem uma certa vantagem sobre os locatários.

Alarmando ainda mais o cenário, está a perspectiva de duração da crise. Metade dos entrevistados acreditam que vão precisar de 3 meses ou mais para o fluxo de pessoas voltar ao normal nos seus espaços. 30,2% aposta em pelo menos um trimestre. 20,8% acreditam que serão necessários ao menos 6 meses para o movimento retomar o cenário pré-crise.

No entanto, quando questionados sobre perspectivas futuras, a grande parte dos gestores demonstra empolgação. 35,4% dizem estar ligeiramente otimista, enquanto 16,3% garantem se sentir muito otimista para o futuro do mercado de coworking. Dentre os motivos, muita gente tem apontado a recente descoberta do trabalho remoto por muitas empresas, o que deve levar a um aumento na demanda por coworking no futuro. Falamos um pouco sobre isso neste artigo. De forma até surpreendente, apenas 16,4% se mostraram pessimista sobre o futuro do coworking pós Corona vírus.

Acredito que apesar de breve, este levantamento traz uma verdade nua e crua. É consenso que em algum momento futuro, o mercado espera que o crescimento volte aos patamares anteriores e, talvez, até receba um empurrão de novos públicos. O problema latente é que nem todos terão gordura pra queimar e ver esse dia chegar. Quem conseguir se planejar agora, vai voltar com tudo lá na frente.

Diversificação de players

Não estamos falando de coworking segmentado, estamos falando de empresas surgindo com força em mercados que não nasceram como espaços de trabalho, mas viram uma boa oportunidade e decidiram testar em 2019.

São Hotéis, cafés, bancos, universidades, e diversos outros tipos de negócio que possuem ativos imobiliários com muito espaço ocioso, e perceberam que podem usar do coworking para movimentar este espaço. Muitas vezes não é a fonte principal de receita deles, mas eles estão atentos a mudança de mentalidade da economia moderna. Ativo ocioso, é prejuízo. Uber e Airbnb nos ensinaram isso nos últimos anos.

E estes players não estão pra brincadeira. Um tempo atrás conversamos com uma rede de hotéis com mais de 100 unidades no Brasil. Eles queriam colocar um coworking dentro de cada unidade. Você pode imaginar o impacto que esse movimento vai trazer para o mercado.

Muitas empresas vão buscar flexibilidade e segurança nos próximos meses. Você, como empresário, teria coragem de alugar uma sala comercial com um contrato de 12 meses nesse momento? Aquele custo de reforma, mobiliário, infra. Tudo que sempre falamos vai ficar ainda mais evidente agora, e muitos empreendedores vão buscar a solução de menor risco.

Os espaços que conseguirem aproveitar esse tempo de quarentena para se reorganizarem, rever seus processos, manter uma comunicação próxima com a sua comunidade, tem tudo pra terminar o ano muito mais fortes do que começaram.


Fonte: Coworking Brasil 


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