Vicente Guallart apresenta projeto urbano e arquitetônico em reflexo à atualidade


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A proposta busca a criação de comunidades produtivas a partir da industrialização digital e da autossuficiência .

O arquiteto espanhol Vicente Guallart, fundador do Guallart Architects, venceu o concurso internacional de design ‘Arquitetura Xiong’an – Princípio de Desenvolvimento de Alta Qualidade’ designado para a nova zona de Xiong’an, a cem quilômetros de Pequim. O projeto, elegido dentre mais de 300 propostas recebidas, define um novo conceito para cidades baseando-se em economia circular, termos de ecologia e funcionalidade independentes.

“A cidade autossuficiente”, título do projeto, especifica um modelo urbano disposto em quatro quarteirões e enfatiza o uso residencial como dominante articulador da proposta. Nesse modelo, moradores passam a ter condições de desempenhar suas principais atividades no próprio ambiente de casa – não é surpresa a ideia ter sido concebida recentemente, já que, nos últimos tempos, tal forma de organização tenha se tornado potencialmente comum. O projeto vem como resposta, portanto, a variados cenários de crise vividos mundialmente. Segundo Guallart:

"Não podemos continuar a projetar cidades e edifícios como se nada tivesse acontecido. Nos últimos tempos existem fenômenos em escala mundial que nos obrigam a repensar tudo. Nossas propostas nascem da necessidade de dar soluções às várias crises que estão vivendo nosso planeta” 

O conjunto das quatro quadras é constituído por edifícios de madeira, seguindo princípios de bioeconomia circular e, neles, mesclam-se casas, residências para diferentes faixas etárias (jovens e idosos), escritórios, piscina pública, comércio, mercado, creche, centro administrativo e corpo de bombeiros. 

Especificamente, o conjunto pode produzir alimentos, energia e objetos de uso diário – estes últimos através de fabricantes de pequena escala equipados com impressoras 3D localizadas a nível do térreo dos edifícios. Da mesma forma, todos os blocos habitacionais são cobertos por estufas para produção de alimentos de consumo diário e utilizam coberturas inclinadas para a captação de energia solar e posterior conversão em energia elétrica.

Estruturadas em madeira, as residências possuem amplos terraços orientados ao sul – funcionando como reguladores térmicos e áreas de lazer, fundamentais em períodos de confinamento -, e, da mesma forma, são preparadas com espaços de teletrabalho e conexões a dados 5G, propiciando redes sociais na escala bairro para troca de recursos.

Vicente Guallart
Fundador de seu próprio escritório Guallart Architects (1993), do Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha – IAAC (2001), e do laboratório Valldaura Labs, Vicent Guallart foi arquiteto-chefe da Câmara Municipal de Barcelona (2011-2015) e permanece como diretor geral da Urban Habitat desde 2011. Participante de diversas edições da Bienal de Veneza, atualmente conduz o próprio escritório e dá aulas e conferências em todo o mundo.


FONTE: Revista Projeto

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